domingo, 29 de agosto de 2010

ESTRADA

A tua estrada é a minha
e nela caminharemos sempre juntos,
nem um passo à frente nem atrás,
antes lado a lado,
enquanto houver estrada, tu e eu,
até à eternidade ou mais.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

FEELINGS

O Sol despertou-o do sono que não tinha,
vestiu a pele gasta de promessas quentes
que lhe pintaram um sorriso profundo
daqueles de orelha a orelha.
Não sorria desde a última vez,
antes do Inverno lhe secar as lágrimas
que ela lhe oferecera
e que guardara religiosamente
como um tesouro precioso.

VONTADE

Sou hoje triste e alegre
um rio sem mar
uma lágrima seca presa no olhar
sou lembrança
uma sombra do que fui
um sonho
sem asas
nem vontade
de voar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SELOS


Recebi este belo selo do blogue Átomo Vida, que muito me diz, por vir de onde vem, quer pelo carinho especial que nutro por este espaço ainda tão recente, na altura uma aposta que considerei arriscada, mas que felizmente foi não só bem recebida como bastante acarinhada por um grupo considerável de visitantes fiéis, daqueles a quem gostamos de chamar "amigos". Como a maior parte dos selos, também este obedece a regras, na forma de três perguntas a que devo responder. Sem mais delongas então:

1- Porque acha que mereceu este prémio?
Sinceramente, serão os visitantes deste espaço que melhor podem responder, se mereço ou não este selo/prémio. Recebê-lo significa que valeu a pena ter dado o passo em frente, quando um amigo me desafiou a criar este espaço. Significa que a minha escrita não desagrada de todo e, especialmente, que consegui fazê-la chegar mais longe do que ao escrevê-la pensei chegar.

2- O blogue que o indicou merecia o Prémio Blog de Ouro?
Só quem não teve ainda a oportunidade de o conhecer poderá ter alguma dúvida quanto a isso. Desde sempre tem sido um dos meus pontos de referência obrigatórios, pela qualidade da escrita, pelo valor das ideias, pela paz, pela inspiração.

3- Indicar o selo para dez blogues:
Por só ter voltado agora ao convívio dos blogues e não querendo ser injusto para ninguém, vou pular esta parte, colocando este prémio ao dispor de quem por aqui costuma passar, prometendo numa eventual próxima oportunidade, agora que o tempo disponível é outro, atender a todos os requisitos inerentes a este tipo de selos/desafios.

SELOS

Como muitos se terão apercebido, estive por bastante tempo ausente ou intermitente, silenciado nas minhas palavras geralmente mudas. E tem piada que as palavras mudas foram um dos pretextos para o meu regresso antecipado a este, como aos meus outros espaços. Porque é sempre mais fácil falar através de palavras mudas? As pessoas, as relações são sempre tão complicadas e as palavras ditas entendidas tantas vezes fora do contexto. Durante a minha ausência fui surpreendido pela assiduidade com que alguns de vocês continuaram a passar por cá e mesmo a comentar. E eu, absorto em outras direcções para as quais a vida me estava a levar, surpreendi-me, ao mesmo tempo que sentia a falta da escrita, que teimava em não querer voltar a preencher os espaços vazios das minhas folhas imaginárias, ao mesmo tempo que sentia a falta das palavras, do contacto, das amizades que aqui encontrei e a quem não esqueci nem por um momento. Amizades essas que apesar da longa ausência ainda enviaram alguns selos, aos quais, pela distância peço desculpa de não cumprir as formalidades inerentes a alguns deles - sintam-se à vontade para os pegarem, pois são todos merecedores -, mas que de forma alguma seria capaz de não fazer referência, aos selos e a quem insistiu em visitar este espaço. A todos vocês o meu obrigado e a minha mais sincera amizade.

oferecido por
Angel in the dark

sábado, 14 de agosto de 2010

DE QUANDO EM QUANDO

De quando em quando
o amor
para não ferir
para dar vazão às saudades
para avivar a saliva
o gosto do beijo e a maciez do toque
do suor das mãos espalhado na pele
do corpo a corpo sem tréguas.

De quando em quando
a voz
intermitente
a calar a escrita,
troca o tempo dos verbos
a abafar memórias
de um passado feito de futuros imperfeitos.

De quando em quando
a felicidade,
olhos nos olhos
como uma miragem que se faz presente
mesmo que só de passagem
fugaz,
fugidia
a iluminar a treva
a saciar a sede insaciável
de quando em quando
a vida.