domingo, 3 de julho de 2016

FALTA

Procuro-te na solidão da noite, onde o calor do corpo se desvanece no frio da tua ausência, puzzle por completar. Sinto falta do toque da tua pele, do teu cheiro, das tuas palavras que me seduzem e deixam-me as emoções à flor da pele, o desejo cavalgante e enleante pulsando entre as veias, mesmo à distância procuro sentir o teu prazer confundir-se no meu, os corpos confundidos num só, mas sem ti o calor não resiste essa vontade insaciável que sempre me consome esmorece. Fazes-me falta.

aquele momento em que nos atiramos de alma e cara no vale do desejo e tudo o que respiramos é um prazer ofegante de promessas por concretizar. é o puzzle a começar a montar-se, dois corpos que se encaixam num só, num mesmo objectivo: dar e receber.

POR UM TEMPO INDEFINIDO

quero-te, quero ter-te por um tempo indefinido, possuir-te sem que sejas minha, porque não és um objecto e ninguém é de ninguém, mas quero-te, o teu prazer mais profundo e verdadeiro por um tempo indefinido, quero ter-te e dar-me, confundir os nossos desejos e necessidades, misturar nossos corpos num momento mágico, num único e indescritivel orgasmo. Quero a tua intimidade mesmo que por um breve e indeterminado instante, sem nomes, sem horário marcado, sem a burocracia e os compromissos dos Homens, sem regras, só por querer proporcionar e receber prazer. Quero-te por um tempo indefinido, como se a vida terminasse amanhã.

domingo, 6 de setembro de 2015

ANJOS CAÍDOS



Podia começar por falar em destino, mas o destino não tem nada a ver com isto. Nem o destino nem a sorte ou o azar de ter nascido na Síria, no Iraque, na Palestina, como na Bósnia ou na Ucrânia, etc etc etc. Continuo a pensar que o destino somos nós que fazemos e esta criança não teve tempo para sonhar, muito menos para fazer fosse o que quer que fosse com a sua vida. Ninguém planeia morrer aos três anos numa praia da Turquia... ou noutra qualquer. Aylan é um de tantos filhos da guerra, anjos caídos, uma das mais recentes e provavelmente a mais mediática vítima entre os refugiados de mais um dos inúmeros conflitos que assolam este nosso planeta azul, que, tal como a lua é cada vez mais - e apenas - bonito e inspirador se visto ao longe. Não que o nome interesse. Não interessa nesta idade como não interessará aos vinte anos, assim como no ocaso de uma vida "normal", para lá dos 70's. No fundo, só importa aquilo que fazemos. Nós não escolhemos o nosso próprio nome, não escolhemos ser bonitos ou feios, altos ou magros, louros ou morenos, de olhos azuis ou castanhos. Também não escolhemos ser homens ou mulheres, brancos ou pretos, europeus ou americanos, árabes. E no entanto sabemos como esse destino em que não acredito está tão interligado à importância dita menor destes detalhes que de pormenores nada têm. Pormaiores, talvez. Ninguém escolhe nascer no meio da guerra ou da fome. Aylan não teve nas suas mãos o poder da escolha, aquilo que realmente importa que é o que fazemos da vida. Cada escolha, cada decisão, leva-nos ao que queremos ser e fazer pelos outros, por um mundo melhor ou pior, faz-nos ser bons ou maus, cair e levantar, deixar uma marca, memórias, vivermos para além da nossa existência física. Este menino a quem a infância - muito provavelmente limitada e atribulada - foi roubada em tão tenra idade não teve tempo para muito, porventura para brincar tampouco, mas a sua imagem largado das águas naquela praia da Turquia, para lá de qualquer questão moral, poderá ajudar a mudar consciências, a sensibilizar todos aqueles que podem mudar - todos nós - muito ou pouco, sendo que o pouco é melhor do que o desagrado geral das vozes que protestam e dos braços que se quedam invariavelmente cruzados sem nada fazerem porque podem pouco. O mundo não evoluiu com um cruzar de braços, a roda e o fogo não nasceram da inércia. Não basta ficarmos chocados a assistir enquanto milhares de Aylan's vão desperdiçando as suas vidas escorraçados de suas próprias casas, ao sabor das balas, da violência e do ódio, para longe das suas raízes à procura de um futuro cujo prazo de validade seja superior a três anos. Será que a humanidade atingiu um ponto em que continua a ser normal criar barreiras, hostilizar, discriminar tudo o que nos é diferente, pessoas, religiões, ideias? Será que após anos e anos de "evolução" continua a imperar o espírito das cruzadas, dos campos de concentração para aqueles que não são de raça pura, a perseguição das bruxas pela inquisição, o klu klux klan? Se o amor, o respeito e a compreensão são palavras vãs deveria ser proibido nascer nos países em guerra...

sábado, 15 de dezembro de 2012

HOJE

HOJE (por alguém que não está)


Hoje escrevi sem ter para quem
um endereço sem destinatário,
lancei-me no vazio dos teus braços
e caí desamparado.
Hoje trocava as palavras por rosas vermelhas,
a razão por sentimentos
e a amargura no olhar
por uma réstea de esperança,
por um motivo para sonhar.
Hoje trocava a poesia
pelo prazer de uma companhia.

sábado, 17 de novembro de 2012

OCASIONALMENTE

Ocasionalmente... rimos,
temos prazer quando sóbrios, fazemos sentido,
somos criativos, construímos,
sonhamos mas também agimos.
Ocasionalmente fazemos dieta, ginástica,
aprendemos, celebramos,
temos dias, datas marcadas, damos,
somos quem realmente somos,
quem queremos ser.
Ocasionalmente damos beijos, abraços, carícias,
dizemos "amo-te", "obrigado" e "desculpa",
gostamos da imagem reflectida no espelho,
Ocasionalmente somos pais, filhos,
casais e amantes, irmãos,
gente que sente, humanos.
Ocasionalmente fazemos amor,
não apenas sexo, pensamos, agimos,
procuramos o certo,
somos solidários, partilhamos.
Ocasionalmente, mais do que respirar, vivemos.
Ocasionalmente... nem sempre.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

GRITO

Grito
Liberdade
Prazer, dor
sentimento que se expressa
em vão,
ave que voa
à toa,
riso de criança
papão
paixão,
agonia dilacerante
de quem comemos
e que nos vem comer 
à mão.
Arte,
o êxtase da fúria
a fúria do êxtase,
nação
bandeira-canção
poesia
grito,
revolução.
Grito, sim!
mas nunca o faço
gritando apenas por gritar.

16jan94

PÉROLAS A PORCOS

Dá Deus nozes a quem não tem dentes,
o governo pensões de miséria para os velhos e doentes,
sadismo de quem pode e manda;
Cessem todas as diferenças sociais,
toda a lógica mais ilógica,
todos os sonhos mais proibidos
"Não faças isto! Nem penses naquilo! Não toques nisso!",
Basta de fodas mentais e outras que tais!
Há quem morra sem saber, há quem viva sem poder,
quem sofra pelo que não tem, pelo que um dia não virá a ser.
Pôs-te alguém na minha vida, qual destino,
na de quem nunca vais sequer pensar,
quanto mais amar, amor, como eu te amo!
Tu e eu, pérolas a porcos
dívina providência de um Deus ateu,
eu aqui, tu nem vês, tão pouco, tão certo,
ter-te perto e como louco pregar no deserto.

18set02

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

INVERNO

O Inverno levou-me a idade dos amores estéreis
e das falsas partidas, deixando
sobre o campo amadurecido
as sementes duma renúncia precoce
ao direito de escolha.
Não podemos ser esquisitos
quando o frio agreste da solidão
nos toma de assalto o coração.
Falta o tempo ao tempo,
falta vida ao que devia ser sabedoria,
sobram palavras aos actos,
falta voz ao desejo e à raiva
sempre silenciada
em favor de um pretenso e conveniente
mal menor.
Porque arranjamos desculpas, perdoamos
sempre àqueles que amamos?
São agora mais longas e mais escuras
as noites,
mais forte a chuva
de encontro às janelas fechadas
de um quarto onde o mofo não conseguiu apagar o teu cheiro
e onde só adormeço agarrado
à almofada das lembranças
de um breve mas intenso Verão.

domingo, 29 de agosto de 2010

ESTRADA

A tua estrada é a minha
e nela caminharemos sempre juntos,
nem um passo à frente nem atrás,
antes lado a lado,
enquanto houver estrada, tu e eu,
até à eternidade ou mais.