sábado, 14 de agosto de 2010

DE QUANDO EM QUANDO

De quando em quando
o amor
para não ferir
para dar vazão às saudades
para avivar a saliva
o gosto do beijo e a maciez do toque
do suor das mãos espalhado na pele
do corpo a corpo sem tréguas.

De quando em quando
a voz
intermitente
a calar a escrita,
troca o tempo dos verbos
a abafar memórias
de um passado feito de futuros imperfeitos.

De quando em quando
a felicidade,
olhos nos olhos
como uma miragem que se faz presente
mesmo que só de passagem
fugaz,
fugidia
a iluminar a treva
a saciar a sede insaciável
de quando em quando
a vida.

7 comentários:

  1. Miguel... que coisa mais linda. Que jogo delicado de sentidos e palavras.
    "a voz
    intermitente
    a calar a escrita,
    troca o tempo dos verbos"...
    Uauuu!! Quem dera trocar os tempos dos verbos, nos desse mais tempo para a vida...
    Beijos.
    Beijos.

    ResponderEliminar
  2. O tempo está lá, mas somos tão perdulários quando se trata de viver, gastando o tempo preferencialmente com futilidades. Obrigado pelas palavras.

    ResponderEliminar
  3. Olá Miguel.
    Mesmo de quando em quando, antes assim do que a travessia do deserto.
    Kandandos

    ResponderEliminar
  4. Olá Miguel,
    De quando em quando...ainda que assim sabe tão bem ler o que escreves!

    Bjs dos Alpes

    ResponderEliminar
  5. O tempo não dita a intensidade...

    ResponderEliminar
  6. Meu querido amigo
    Tinha saudades de passar por aqui.
    um belo poema, mesmo que seja por um instante de amor vale a pena, adorei.
    Tenho um sonho de uma noite de verão no meu cantinho.

    Beijinhos
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  7. Olá Miguel, estimado amigo!
    Estou como a Flor Alpina disse. Mesmo de quando em quando, o que escreves toca-nos na alma.
    Por vezes revê-mo-nos nas tuas palavras, no fluir dos teus pensamentos escritos.
    Prenda-nos sempre que possas.
    Kandandos

    ResponderEliminar