sexta-feira, 5 de março de 2010

LONGE DE TI

Longe de ti sou um barco à deriva
num mar de tentações,
um meio-dia sem Sol,
o grito amordaçado na garganta,
um muito vazio
onde o silêncio ecoa gota a gota
numa tortura atroz.
Longe de ti perdi o medo de perder,
o desejo de ir mais além,
a vontade de querer.
Ninguém perde o que não tem.
Longe de ti sou a imagem sem reflexo,
sou sombra sem vida, restos
de quem um dia quis ser...

e não fui.

20 comentários:

  1. Bem...valeu a pena ter passado por cá ontem!

    :)

    Gosto de te ler em qualquer registo, mas sem dúvida que este, me faz ficar de olhos arregalados, tal é a força que exerce em mim.
    Ninguém perde o que não tem.Verdade tão doída que até queima.
    Fico sempre impressionada com a forma como revelas nas tuas palavras, sentimentos e sentires meus.E fá-lo tão melhor que eu...

    Beijinho no nariz :)

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  2. ...restos
    de quem um dia quis ser...e não fui.
    E não estás ainda a tempo de ser?
    Gosto de te ler, sentimentos á flor de cada sílaba...

    Bjs dos Alpes, com votos de bom fim-de-semana.

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  3. Muito lindo poema...gostei muito.

    Beijinhos
    Sonhadora

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  4. Só estamos completos quando esse outro alguém está presente mesmo que em minusculas coisas.

    Lindo poema Miguel. Beijos

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  5. Miguel,
    Gosto do que escreves, seja qual for o registo, como aqui já é dito, mas confesso que quando passo por este espaço, deixo-me ficar e, silencio cada palavra tua, sei o que queres dizer, creio que sei o que sentes...

    Bjo de Luz

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  6. Miguel,
    Um poema de amor sensível e comovente.
    Já gosto do que escreve em prosa, em verso foi uma descoberta descoberta.
    Parabéns!

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  7. Olá Miguel,
    Bonito poema, com imagem muito forte do estados que se podem ou não atingir, do se concretiza ou não, dependente de mais alguém que de uma forma ou de outra intervém no nosso caminhar.
    Sentido e expressado com alma como de ti se espera.
    Kandando amigo, caté

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  8. Miguel
    conheço muito bem esta sensação de perda e de dor. Porém, cabe-nos a nós libertar-nos - custa muitoooooooo - desta ausência que nos diminui e nos faz sentir tão perdidos.Força e muitas felicidades

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  9. Longe de quem se ama tudo parece menos do que é... até nós mesmos parecemos ninguém... andamos perdidos mas é sempre tempo de reencontrar um rumo, de renascer das cinzas e recomeçar. Gostei!

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  10. Andei a passear pelo teu blog e perdi-me na doçura das palavras na insensatez de sentimentos, alguns, tão contraditórios. Mas revi-me, estampado em palavras que não são minhas pude ver o meu sentir. Parabéns, certamente voltarei aqui. Ainda bem que deixaste a tua escrita sair da gaveta.

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  11. SEM PALAVRAS......
    SUUUUrrisinho para ti

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  12. Pode ser que um dia ainda sejas.

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  13. Este poema traduz uma história em que me revejo, palavra por palavra.
    Bom fim de semana, Miguel

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  14. Boa tarde Miguel, que alma de poeta que você tem, adorei ter descoberto este blog. Isto sim é sensibilidade, é entrega, é simplesmente sentir e deixar fluir.
    Maria

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  15. Miguel,
    Há um selo para este espaço no meu atomovida, é só ir buscar!

    Abraço de Luz

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  16. Longe do outro somos sempre como um barco à deriva...

    Angel

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  17. Obrigada pela visita,
    já estou seguindo ;D
    beiijo
    *.*

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  18. Carla, quem me dera poder dispensar mais tempo a este espaço, bem mais pessoal e que por isso também exige, por vezes, uma predisposição especial. Posso apenas dizer que não está esquecido.

    FlorAlpina, sempre simpática. Há momentos em que achamos que estamos sempre "a tempo de" e outros em que evocamos aquela imagem da ampulheta associada ao tempo que não pára e que se vai esgotando. Há sempre tempo para ser feliz, mas existe a consciência de que à medida que avançamos torna-se mais exíguo o espaço para determinados sonhos, que vão ficando para trás.

    Sonhadora, vindo de quem vem, essas palavras têm um sabor especial, que me reforça a vontade e o gosto pela escrita e o prazer de partilhá-lo convosco.

    Keteriane, existem momentos, paisagens, o que for, tão especiais mas que de pouco valem se não pudermos partilhá-los.

    Luz, essa empatia de que fala é algo que eu vislumbro na maioria dos espaços que passo, nem sempre de forma tão clara e óbvia, mas subentendida por trás das palavras, por trás de máscaras que muitas vezes usamos para nos protegermos da incompreensão e então vestimo-nos de uma certa aspereza ou distância em relação aos sentimentos, como se não fossem eles tão importantes para a nossa felicidade ou tristeza.

    Fê-Blue Bird, obrigado pelas palavras. Desde que descobri o gosto pela escrita que a poesia me atraiu e, à minha maneira, melhor ou pior, lá vou escrevinhando alguma coisa, surpreendendo-me sempre com o feed-back alcançado desde que criei este espaço.

    Kimbanda, cada visita que faz é sempre um motivo de satisfação. Um forte abraço.

    Há.dias.assim, há momentos que causam mais impacto do que outros, que nos elevam de maneira diferente, que causam maior ou menor mossa consoante a nossa forma de lidarmos com os sentimentos e que exigem bastante força, força essa que encontro não raras vezes aqui, nos vossos comentários. Obrigado.

    DoceAroma, obrigado pela simpatia das palavras e por trazer mais luz e cor, calor, a este espaço dominado pelas palavras e pelos sentimentos. Espero continuar a ser merecedor de cada visita.

    Susaninha, por vezes um simples sorriso diz-nos mais que muitas palavras. Sorriso retribuído e desejos de tudo de bom.

    S*, é essa a magia da vida, a incerteza do amanhã, a capacidade de nos renovarmos, de recomeçar a cada novo dia.

    Milhita, das histórias tristes guardamos os bons momentos. Do resto guardo umas palavras que li um dia: "se ainda não deu certo, é porque não chegou ao fim".

    Maria Moura, é sensibilidade, não nego, mas também o gosto pelas palavras, que por vezes saem sozinhas como por vontade própria. Eu adorei também que tivesse descoberto este blogue e a simpatia das palavras, que me dão sempre imenso alento.

    Luz, obrigado pelo selo, mas especialmente pelas visitas e pelas palavras. De coração.

    Angel, "como um barco à deriva", deliciosa comparação. Talvez esteja na hora de comprar uma bússola.

    Grafite, eu é que agradeço a possibilidade de descobrir esse seu espaço tão cativante. Obrigado.

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  19. um poema sobre o (des)a.mar...
    gostei

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  20. ola .sou nova no blog , passei aqui e li o poema , gostei muito .

    beijinhi

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