sábado, 16 de janeiro de 2010

UM HOMEM DE LETRAS

Sou somente um homem de letras despido de fé,
um homem de versos, odes e estrofes,
um eloquente na semântica de palavras distintas
que se cobre de sílabas, qu'inventa rimas.
Sou um homem que usa de parábolas e metáforas,
que faz da escrita desabafo, prosa e poesia
pequenas e modestas pérolas literárias;
um homem de letras caído em desgraça
que escreve de cor sobre desejo, sexo, amor
ódio, ciúme, vida e morte, um erudito
que nunca aprendeu a falar de amor,
que nunca ofereceu uma flor (que fosse)
que não fosse retirada dum livro,
jardins secretos de uma alma ferida;
um homem de letras, um contador de histórias
um mágico, um inventor, um carpinteiro de emoções,
martelando o seu próprio dedo por cada vez
que passa da palavra escrita à chamada oral,
que nunca encontrou as palavras certas
para expor do coração os sentimentos,
um homem de letras vestido de silêncios
que nunca disse um "Amo-te!"
mas que amou, que ainda ama
que não deixará de amar jamais,
porque a vida sem amor
não é vida, não é nada, é vazio, nada mais.

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