sábado, 16 de janeiro de 2010

A TUA SAUDADE

(fotografia de Marcos Marin)

Há marcas que não se apagam nunca,
estacas profundas que fizeram sangrar
este coração estilhaçado, em cacos.
Há feridas que nunca cicatrizam
olhares que ficam, gestos e palavras
que nunca se esquecem, nunca se esperam.
Todos nós um dia, por mais ateus, fomos Cristo
às mãos dum Judas qualquer, todos nós
um dia nos crucificámos de livre vontade
na cruz da nossa ingenuidade e fé,
e de lá saímos, o orgulho ferido, cabisbaixos,
o corpo em chaga ardente de mil estigmas
e na cabeça coroada de espinhos a lembrança
de um pecado agridoce que por vezes me assalta,
me toma nos braços da penitência e me flagela
no castigo da tua saudade.

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