quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SOU O QUE SOU, TALVEZ NINGUÉM

Sou feio e que fazer?
Talvez se deixasse crescer o cabelo
me achassem lindo a valer.
Sou do culto do que é belo
da vida, do amor, céu e Terra,
paz, que não encontro em plena guerra,
onde o perfume do prazer e sedução
se rendem ao ódio, inveja e traição.
Noutro tempo, talvez... fosse feliz
no orgulho de ser Homem com H.
Não me adapto, não me mato
apenas por ser o tal que é banal
duma normalidade anormal,
romântico e moralista
numa realidade amoral.
Talvez se rasgasse as calças
e espetasse um brinco na orelha,
mas não vou fazer cara de mau
arrotar, peidar, cuspir
só para dar uma de bom.
Luto contra moinhos de vento
e não me vão encher de cerveja
só por ser de bom tom,
ou fumar disto e daquilo
p'ra fingir que está tudo bem
tudo fixe.
Está mau, está bera!
Um dia arranjo uma namorada
dessas d'agora que não valem nada
de brinco no nariz e ranço na cabeleira.
Vou fazer amigos à maneira
passar os dias em grandes grupos
só para parecermos muitos;
vou surgir nas discotecas
meia-noite às cinco, dormir até às quatro.
Quem sabe ficasse popular
se pulasse para esse lado,
andar "passado" numa "nice"
quase a roçar o marginal,
ser In para não estar Out
virar o tal do bué baril
e enfim alguém gostar de mim.
Quem sabe ficasse popular
quem sabe se eu quisesse
quem sabe talvez não queira
ser mais do que sou
sem saber bem quem,
todos querem ser alguém
serei eu, talvez ninguém.

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