quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

SANTOS DE BARRO

Vieram os ventos da discórdia
roubar-me os dias de glória,
feitos perdidos na bruma
dos homens de memória curta.
Ergam os braços os paladinos
da moral e da justiça, a voz
de quem nunca na vida pecou
nem mesmo em pensamento.
Quem me atira a primeira pedra?
Chamaram-me génio, filho da puta
e agora crucificam-me, como a Ele.
Serão deuses meus carrascos
ou como eu apenas homens?
Se humanos são profanos
pois que mil defeitos vos contemplam.
Santos, sois todos santos de barro moldados
desta mesma carne e sangue
que me conspurca e corrói.
Quem sois vós, quem sois...
talvez mais, talvez menos
talvez tanto como eu.

a Diego
ninguém escapa à sua própria morte

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