sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

REFÉM da ESCRITA


Fiz-me refém da escrita à mingua duma vida sentida,
vestido a rigor d'ilusões prescritas,
quimeras românticas dum tempo perdido sem resgate,
jardins oníricos de uma devoção inválida,
confundindo amor em palavras e olhares, gestos,
fíapos de esperança dum cego que quer ver
aos olhos de desdém de quem tem com quem.
Rio-me à gargalhada da ironia de quem fala
de conselhos (fossem bons ninguém os dava!)
Faz isto! Faz aquilo! Mostra-lhes
qu'um homem quando quer, pode e manda, faz!,
Faz de conta que a mulher, apenas e só por ser mulher
será sempre uma qualquer, toda a vida
somente aquilo qu'um homem quiser!
rio p'ra não chorar, coração à deriva, escrevo,
devoto de uma fé à muito esquecida
de um Deus com corpo de mulher, musa
a que me prendo numa vénia, Vénus
de um amante sem amada, cheio
de um amor para nada.

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