domingo, 10 de janeiro de 2010

QUANDO ESCREVO

Quando escrevo invento
corações que dançam ao luar,
palavras que nos enganam
e que contam
segredos calados por revelar.
Quando escrevo fazemos amor
no silêncio de palavras mudas
como só nós dois sabemos
e fazemos já de cor;
ter na ponta de uma caneta
a carícia de um corpo quente
e na ideia que nos guia
uma língua ágil, fremente,
à revelia das palavras ditas.
Quando escrevo
em silêncio nos confessamos
traímos sentimentos, pecamos,
somos dois numa mesma frase
iguais na mesma linguagem,
eu e tu paixão que invento
em cada letra, cada palavra
com que eu te descrevo
ignorando esse pérfido desprezo,
ponto final com que terminas cada carta,
qual romance,
palavras que ainda hoje eu escrevo
e desde sempre a ti dedico.

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