segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

PROSTITUTA

Caí na vida à procura duma palavra amiga,
fui sombra vadia, companheiro da desdita,
inventei razões para a mentira, menti
esbocei sentimentos fingidos, fingi
realizei os pecados mais proibidos, pequei.
À procura dum olhar aprovador
matei a sede à ambição e ao prazer
fui egoísta, perjurei
fui infiel, matei e roubei
beijei como Judas, fiz-me ao mar, naufraguei.
Prometeste-me a Lua
que ficarias toda nua
acreditei.
Tornei-me sádico na vingança
falsifiquei mil e uma assinaturas
banhei-me no sangue dos outros
ignoraste-me.
Hoje nada dou, nada tenho, não sou ninguém
perdi a alma e a moral
hipotequei o sono, perdi o norte, apressei a minha morte.
Serei amanhã prostituta d'outrém
vendendo ilusões
apenas por meio vintém.

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