sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A POESIA MAIS BELA

Palmilho as ruas como um perdido, mais um vadio
à procura dum caminho a que possa chamar seu, duma resposta
de quem queira, partilhar o bom e o mau
que a vida ainda tem para nos dar.
Procuro um rosto no breu das minhas dúvidas
e por trás desse rosto um nome, um só
de alguém que de certeza não me quer,
porque a vida não nos quis enamorados,
deitados numa mesma cama, entrelaçados,
não nos quis deuses dos vales do linho,
cavaleiros das estepes da renda e da seda,
conquistadores da amazónia das noites eternas,
do odor do orvalho na mata cerrada
e das águas douradas dum Nilo apetecido.
Respiro na corda bamba de sonhos inadiáveis
saciando a sede em utópicos cálices
de um mítico e intragável Santo Graal,
engolindo sapos, encenando inócuos sorrisos
no vazio agreste das minhas preces inconfessáveis;
porque sou aquele que procura no amor
o prazer mais completo, o orgasmo inatingível,
o fim do arco-íris, a estrela mais alta e mais brilhante,
a poesia mais bela, a que ninguém nunca escreveu,
o amor de Pedro e Inês, das fábulas de encantar,
aquele que quer, depois de tudo... mais ainda,
mais e mais...

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