sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PAUS & PEDRAS


... e num país que já foi de poetas
as palavras são agora paus,
as palavras são agora pedras,
que ferem na alma o mais incauto,
aquele que delas se dizia amado amante.

A devassidão dos meus pensamentos ímpios
leva-me a questionar a noção do pecado:
será a causticidade das minhas palavras
menos digna que a verborreia improfícua daqueles que sobre nada escrevem ou falam?

"Se soubesses não falavas
mas tu falas sem saber,
falas de cor como um erudito
escreves muito, não dizes nada."

Deleito-me na loucura do juízo final,
na falência de afinidades que me atraem
e me conduzem invariavelmente ao sentimento,
sempre, em correrias inconsequentes.

Com a alma mártir de profundas chagas
grito na eloquência de palavras dúbias
despidas dum contexto moralmente sóbrio,
políticamente correcto, indubitavelmente ético;
palavras que flagelam como paus... como pedras.


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