sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

OS BELOS NOCTÍVAGOS


Sempre em lutas de um amor falido mas sempre correspondido, fugitivos em pecado, o suspense, o corpo afagado em suor, o medo de ser apanhado; os belos noctívagos amam e no amor são mais fiéis que a mais fiel das mulheres; em toda a festa que se faz, nos gemidos solitários a sós, nas noites mais escuras, nos lugares mais esconsos, libertam-se na sala, no quarto, sob os lençóis da cama, no chão; o devaneio proibido tornado real, a amante virtual, todavia perfeita. Ela nunca diz que não, nunca trai, nunca magoa. A imaginação é uma benção, fora-da-lei dos inquisidores da fé e da vã moral, tudo é possível, toda a distância se faz tangível, tudo se pode, tudo se faz; os cinco mais que irmãos unidos, gladiadores duma mesma causa na arena dos sentidos, cinco contra apenas um, perder... e mesmo assim vencer. Eles sabem do teu ritmo, da batida, eles sabem tudo o que tu queres, fazem tudo aquilo que desejas, clandestinos na penumbra, fabricantes de sonhos e ilusões; o elo mais fraco resiste obstinado mas é uma questão de tempo e a derrota anunciada não é mais que a vitória consumada do prazer mais primário. Cai então vergado à sorte o vencido, qu'é sorte sucumbir de tal morte ao mais forte, e no lençol restos dum labor intenso, dum estoicismo inglório, duma luta sempre vã.

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