sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O TEU LUGAR + ÍNTIMO

Não, não vamos fazer sexo, não somente sexo. Vamos ser originais, ir mais além, mais que dois animais bestificados na busca do êxtase. Não, sexo não, vamos fazer amor, partilhar carícias a quatro mãos, da ponta dos cabelos à epiderme dos pés; carícias firmes mas sedentas de ternura. Deixa-me apanhar-te os ombros, trazer-te a boca à minha boca, soprar-te ao ouvido, passar a língua pelas costas do teu pescoço, tomar o gosto do bico dos teus peitos. Deixa-me oscular o interior do teu umbigo com delongas, suavemente, induzir-te em ânsias de prazer e daí descer ao céu, à alcova frondosa, príncipio e fim de tantos passeios noctívagos. E ainda assim sem pressas voltar atrás, ao teu lugar mais íntimo, desnudar-te os sonhos, arrancar-te os medos, inflamar-te a ousadia inibida, secar-te as lágrimas da alma, lamber os teus desejos, desventrar os teus segredos mais secretos, suavemente, sem pressas, afagar-te a face, olhar-te nos olhos, os dedos roçagantes nos caminhos infinitos duma terra prometida, baralhar as nossas pernas, fundir nossos corpos, misturar nossas seivas. Vamos fazer de conta que somos cegos, descobrirmo-nos às escuras em apalpadelas minuciosas, violando-te apenas e só em jogos de lençóis manchados de suor, impregnados de desejo. Aí seremos médicos... sem complexos de Édipo, seremos criativos, pedófilos, incestuosos, pais, filhos, irmãos e amantes, assaltantes de um fruto nunca por nunca proibido; seremos eu e tu um só, corpo e alma, a essência do sexo num amor despudorado, não somente sexo e todavia sexo, sem nexo, 100% amor, deste amor que te confesso e me traz por ti possesso.

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