sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O QUE PERDESTE, CLARA?


O que perdeste, Clara?, foi tão só um pouco
de tudo que em nada pouco interessa,
perdeste as guerras sem razão,
o resto da fome e da vileza torpe, perdeste as novelas e o Masterplan,
os Big Brother's e as anedotas do Herman;
perdeste os versos que não te escrevi
e os que escrevendo tu não leste,
perdeste a esperança atrás da felicidade
e depois? A felicidade é uma quimera
e a esperança demagogia, promessas
de políticos em discursos sem sentido.
Não é bonita a vida, tu sabias
das minas e armadilhas pelo meio,
das pessoas que passam sem parar
com ardis e mentiras. Sabias do amor a saque
dos sentimentos mais puros, perdidos
em baixos e vulgares desejos pornográficos.
Sentimos... e por sentir sofremos
(sentimos a tua falta, Clara!),
amamos sem amor, mentimos
sem saber porque mentimos,
matamos somente por matar
como animais que bebem sem ter sede.
O que perdeste, Clara? Talvez nada.
Perdeste-te de ti, escreveste o teu fim
quando sofrendo, egoísta, causaste a dor
numa vida roubada aos pais a alegria perdida
p'la morte da filha, por demais sentida.
Foi-se para eles o brilho e a candura
toda essa panóplia de ideais, o sentido da vida
nesses olhos de criança adulta, arco-íris
no final de cada tempestade.

Sem comentários:

Enviar um comentário