quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

NOITE ESCURA

Noite escura
companheira vadia
de velhas vielas
e do frio nas costelas;
plangem guitarras tristes
gemidos ardentes duma voz castiça
fado de canalhas e coristas;
procuro num copo aconchego
e num corpo de meretriz poesia;
nos ladrilhos da minha rua
já não roda o pião
joga-se vida e morte
azar e sorte
esconde-se o ás;
esposa fiel e amada
em noite escura deitada nua
noutra cama que não a sua;
sobe a parada
uma bala perdida
ferida rasgada
em peito aberto
vida roubada,
desce o pano
vence a morte.
Fosse minha doce sorte
e meu medo menos forte
de morte matada mataria
de morte morrida morreria,
do que envolto em noite escura
fugitivo sem qualquer destino.
Houve um dia... todos nós fomos heróis
matámos índios, fomos cowboys
fomos polícias, fomos ladrões
fomos crianças com ilusões.

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