quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

NEGRA COR

Já não pedes sequer, como se adivinhasses
no que te não digo motivo,
para não ceder aos eventuais caprichos de um qualquer anjo negro,
como negras são as brumas em que me envolvo,
areias movediças que me afastam de uma luz que já mal vislumbro.
Negras são ainda as criaturas
a que a insensatez da mente e a escassez da carne me conduzem;
negra a cor do meu desamor,
que de tanto amor me consome e enfraquece.
Como pode o amor causar tanta dor e sofrimento?
E no entanto, ainda ontem me pedias.
Mas ontem parece já tão distante, desvanecido
pelo vento agreste dos sonhos desfeitos,
recordado agora por um incontrolável e momentâneo desejo impuro.
Já nem sei em que dia estamos, como antes me esquecera
do certo e do errado,
de quem sou ou quis um dia vir a ser.

6 comentários:

  1. Belas palavras, ainda que negras...
    ...
    Bjs dos Alpes...

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  2. A cor pode ser negra, mas o tom das palavras é belíssimo como sempre.Adorei

    Beijo

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  3. Lindissimo poema...muito inspirado.

    Beijinhos
    Sonhadora

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  4. É verdade,
    quando os sonhos são desfeitos o vento é agreste...

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  5. Hum... da tempestade surge uma beleza de texto.

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  6. Lindo, Miguel! É dificil alguél escrever tão profundamente para essa cor que nos deixa demente.

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