terça-feira, 5 de janeiro de 2010

NÃO VOU ESCREVER



Não vou escrever um poema de amor!
Já não há poemas de amor
e amor não rima com dor.
Não vou mais mentir
dizer que dói em meu peito a tua ausência,
não vou escrever que sem ti estou cego
perdido, sem rumo certo.
Sei muito bem onde estou
e de como tu estás longe.
Não vou mais escrever de morrer de amor
se meu coração ainda bate,
porque razão, nem eu sei.
Tantas horas perdidas em sonhos acordados
tantas mentiras escritas em folhas esquecidas,
o que sobrou de ti... o que fizeste de mim...
um mentiroso por profissão
um sonâmbulo de noites perdidas.
Não vou mais escrever que teus olhos são estrelas
porque não são, são vulgares, banais;
de uma beleza ímpar, um corpo que enlouquecia,
tão cego eu andava, tanta mentira escrevia
e já não escrevo mais,
dessas lágrimas nunca choradas,
desses sonhos nunca sonhados
prazer e dor nunca sentidos.
O que foste já nem sei, esqueci.
O que és... nada, para mim.
És pedra qu'eu piso sem notar
gente que passa sem ficar,
o tempo tudo cura, os actos e o resto,
as palavras que escrevi
e que não escreverei jamais.

4 comentários:

  1. (tu deves ser eu, na versão masculina)...acho que nunca li nada, assim, tão sentido e tão brutal, pela mão de um homem...eu sei que há homens sensiveis, mas há sobretudo a preocupação em esconder essa sensibilidade. Tu não tens medo nem vergonha, assumes-te, e eu estou sensibilizada com isso.
    Recebe um abraço e um beijo meu com carinho



    P.S - e tu voltarás a escrever

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  2. Realmente para um homem isso é pra lá de surpreendente, estou realmente cada vez mais admirada com suas palavras, ès um bom interprete de sentimentos, talvez seja uma mascara pela qual quer deixar se passar, ou talvez seja a realidade a transbordar, prefiro deixar em minha mente esse seu misterio.

    Abraço, Ketty

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  3. Carla e Ketty, lisonjeiam-me com as vossas palavras, como sempre e confesso ter até receio de ficar mal habituado. Com que então, só as mulheres têm sensibilidade para escrever assim? Olha que duas feministas que me saíram na rifa! Se soubessem a quantidade de homens sensíveis que se escondem por trás de verdadeiras cortinas de ferro por onde a emoção parece não conseguir entrar... A verdade é que, de forma consciente ou não, sempre expressei melhor os sentimentos através da palavra escrita do que por outras vias e hoje uso o blogue como a maioria, na forma de um desabafo que solto para não sufocar. Máscaras, como bem diz a Ketty. É sagitariana e por isso, certamente, boa pessoa. E daí, a escrever desta forma, quem sabe se este nome com que me apresento não seja um pseudónimo e quem vos escreve deste lado seja uma mulher? Mistérios!... Lisonjeado pelos elogios, mas q.b., para não desencadear uma longa e interminável guerra dos sexos.

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