sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

não leiam O QUE PENSO nas palavras que ESCREVO

Desculpem-me! Leiam-me ou ignorem-me, mas desculpem-me, que não é meu intento ofender ninguém, antes metamorfizar-me em palavras, procurar alento e aconchego nas mãos, no olhar atento, no sorriso, na surpresa e na compreensão de quem me conhece e lê. Aqui onde estou, palavra a palavra, ofereço o meu corpo às pedras de quem nunca pecou, nem mesmo em pensamento. Não sou Santo! Deve ser tão chato ser um santo. Assumo minha mea culpa, minha máxima culpa diante da irrefutabilidade dos factos, dos argumentos desses energumenos dum regime bolorento. Em minha defesa só a verdade daquilo que escrevo. Eu não escrevo ficção, não faço crónicas sobre seres alienígenas ou amores perfeitos, os quais, com alguma sobranceria e uma pequena pitada de ironia sustento num mesmo patamar de irrealidade. Tudo o que escrevo é verídico, fruto de vivências pessoais ou não, de tudo o que nos "entra" pela televisão adentro, do que lemos, do que ouvimos, de tudo o que a bem da verdade até já sabíamos. Até essas palavras - vulgo asneiras - que agora vos chocam de tão escutadas, são já parte intrínseca do nosso vocabulário, mesmo que pretendamos ignorá-las. Quem me conhece sabe que não sou nem metade do que escrevo. Sobra-me a educação, falta-me a coragem. Porém, revejo-me constitucionalmente no direito de escrever da forma como escrevo, no direito que me outorga um Estado alegadamente democrático. Serei menos digno pelo uso de um qualquer vernáculo distinto? O conto de fadas perfeito de outrora deu lugar a uma sociedade moderna, anárquica e violenta, fruto de uma guerra de audiências sem escrúpulos por parte dos media. Todos vimos a queda das torres gémeas do WTC, os filhos bastardos da fome em África. Hoje sabemos donde vêm os bebés, que o Pai Natal não anda de trenó e que o sexo se faz a dois, a três ou mais e às vezes até nas sobras duma solidão atroz. Eu não defendo o sensacionalismo barato nem a pornografia dos sentidos ou a violência dura e gratuita, mas bem ou mal ela faz parte daquilo que somos. Escondê-la seria apenas adiar a solução dum problema imenso que devemos combater. "Eu queria apenas partilhar contigo a domesticidade sossegada de nós dois. Queria sentar-me ao teu lado, numa varanda sobre o mar, e escrever um romance que tu pudesses admirar". Foi assim com algum receio que ainda subsiste, com uma grande dose de incerteza, medindo as consequências de cada palavra, que não retirei uma virgula que fosse a este livro, quanto mais um poema, face à primeira rajada de críticas. Respeito-as, considero-as e tento aprender com elas. Mas eu sou tudo aquilo que escrevo, estes são os meus poemas, uns melhores do que outros, como as pessoas. Alterar fosse o que fosse seria como ir ao encontro de quem nos espera com o intuito prematuro de o enganar, com uma máscara na cara e duas pedras nas mãos.

3 comentários:

  1. nunca mudes,sê fiel aos teus principios e a ti próprio...aquilo que os outros pensam de ti, não é sequer, metade do que tu és...

    Recebe um xi e um beijo no nariz

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  2. Já lá vão mais de 7 anos desde estes últimos poemas e tenho a noção de que não mudei muito durante esse híato de tempo, para o melhor e para o pior. Não fui mais sábio do que era na maneira como enfrentei emoções que até então não passavam do papel e que por isso não aleijavam tanto. Envelheci, mas no essencial continuo a mesma pessoa, com a mesma curiosidade e a mesma fome de vida dos meus 15, 20 anos e com alguma da ingenuidade desse tempo, que me faz tropeçar ainda em algumas armadilhas espalhadas pelo caminho. Obrigado pelas palavras e um beijo no nariz.

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  3. Encontrei este seu texto, por acaso, detive-me aqui, em concordância plena.
    Senti-me em casa e , o que dizer?
    Que escreva, que escreva de alma, que escreva com todos os sentidos na palma da mão.

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