quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

NA ESTRADA

(fotografia de Marcos Alcantara)

Cigana que venho de longe
sete dias, sete noites
fugindo de quem não posso,
deixe-me erguer minha vida
à luz da sua fogueira
tão fria qu'até o fogo gela.
Sete sóis, sete luas
tomba-me o céu em frágil corpo,
na consciência carrego
todo o peso do mundo.
Já não durmo, já não como
ando fraco, magro, imundo,
será desta minha sina ou sorte
ficar eu de ti cativo
preso a ela até à morte?
Imploro-vos, não chores
mesmo que de alegria o faças
pois que vossas lágrimas ateiam
o fogo qu'em mim julgava
brando e morto, adormecido.
Foi longo o meu caminho
sinuosa a minha estrada,
destino de penar, só
com o fardo desta vida
que me traz farto e cansado.
Mil lugares em que passei
mil lugares que abandonei
em todos a vida acaba em morte
e o amor em tanta dor.


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