terça-feira, 5 de janeiro de 2010

MORTE ANUNCIADA


Acordei
no meio de um sonho tridimensional
ao som das gaivotas rumo ao sul
e do mar d'encontro às rochas,
o coeano em mim como um todo
de, luta, de peixes na rede, labuta
canção qu'e dor de um povo.
Fui pescado, avaliado, vendido
em meus direitos simplesmente ignorado,
acordei
em densa noite
nessa noite mais escura
que a mais escura das noites,
deitei-me ao frio de duras vozes
de rostos sem nome, de palavras qu'incendeiam;
dedos impingem medos, culpas,
obedeço e tranco o sonho imerso na escuridão.
Frágeis devaneios de mentes distorcidas
na angústia de suas vidas,
gritos dilacerantes ecoam roucos
despidos de emoção, carência
de quem nunca teve algo de seu.
Quem me conta um conto?
Débil gemido, parto sem dor
dor cheia de um imenso nada, alma
chora inerte sua alma, calma
em olhos rasos d'água dum cristal tricolor;
Acordo rostos sem rancor,
dou vida a mortes anunciadas
de vidas já sem vida,
Estou morto e não sei.

2 comentários:

  1. texto viajante se deixar a sua concentração chegar ao extremo da interpretação.

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  2. As palavras surgem de momentos que tão depressa permanecem como se transformam.

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