terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MONÓLOGOS DA IMPOTÊNCIA SENTIMENTAL

Há um caminho que vai
do esmo do abismo
ao cume do que sinto
à redenção do pecado,
o exemplo do que sou e faço.
Fui toda a vida um poeta
meio homem, meio pateta,
um balão inchado de virtudes
normas, condutas, leis, sentimentos
de que ninguém mais quer saber.
Dos puros ideais à muito me perdi
na falência de falsos moralismos,
sonhos d'infância traídos
nesse orgulho ingénuo qu'até hoje senti.
Os meus romances são monólogos
d'impotência sentimental,
palavras que se esporram
em folhas virgens de ternura.
Repetem-se asneiras em busca da felicidade
tão efémera quanto utópica
que nos leva invariavelmente
à mentira e ao desespero.
O futuro, esse não é mais
uma estrada que se abre
mas um penhasco escarpado a pique
onde eu sei que vou cair.

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