segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SETEMBRO DE 95

A MINHA AVALON

A Lucina

A inspiração começa a escassear ao mesmo tempo que cada vez mais eu disperso os meus sentidos e os pensamentos em devaneios imorais e inconsequentes. À falta de melhor e com o orgulho inchado de uma falsa modéstia termino a primeira de três colectâneas consecutivas, longe de imaginar o deserto de inspiração que teria de atravessar até um novo livro. "Escrevo A Minha Avalon numa altura em que poucos são os originais de que disponho para apresentar, consciente que sou de todas as dúvidas que possam daí advir quanto ao momento e razão desta realização. Não sou um poeta. Um homem que cura um aferida não tem forçosamente que ser um médico. Eu não tenho o dom da escrita, nem trato por tu as palavras de forma a escrever os meus pensamentos com o ritmo e graciosidade com que sinto o sangue pulsar-me enleante através das veias. Este não é, assim, mais um livro. É antes, ou foi, a forma de justificar dez anos duma estreita relação, compartilhando segredos, confidenciando esperanças e desilusões, dando vida a folhas de papel vazias, descoloridas. Se mais poderia ter feito nestes anos, e eu sei que sim, peço desculpa. Do que fiz, gostei. Reúno desta forma, não os melhores - que nunca poderia eu julgá-los com isenção - mas alguns trabalhos cuja temática se dispersa entre a vida e a morte, o amor, a tristeza e a crítica, tornando-se para quem os escreveu numa empresa congratulante e para quem lê, num passatempo que desejo aliciante."

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