segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

JÁ NÃO HÁ

Já não há tempo para sonhar
não há castelos de areia junto ao mar
nem cavalos de madeira
onde nas praias da minha infância
se tiravam fotografias aos meninos e meninas.
Já não há fado castiço
não há Alfredo, não há Amália
há má fama em Alfama.
Já não há cowboys
heróis de capa e espada
Sandokans,
hoje todos são bandidos
ninguém quer ser mocinho.
Já não roda o pião
não desce o aro rua abaixo,
já não grita o ardina
de saco às costas as novas do dia.
Já não há beijos às escondidas
nem olhares mais corados,
já não há varinas, calaram-nas
as varinas que à porta nos traziam
pregões e sardinhas fresquinhas.
Já não há poesia como Camões a escrevia
nem colecções de caricas
nem vitórias do Benfica.
Já não há idade para a inocência
não há mais virgens no altar,
não há nada
só a saudade.

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