domingo, 10 de janeiro de 2010

INTROSPECTIVA

Estacionei o meu corpo na contra-mão
contra a corrente que me quer levar,
abandono-me à sorte entre a vida e a morte,
dizendo que sim só para não dizer que não.
Sonho nuvens de algodão em claros tons de rosa
mas o sonho é efémero e a realidade fria, tão fria,
afoga-me ela em densas vagas
na tempestade que leva em ondas ilusões desfeitas.
Conspurco-me em devaneios imorais
onde só tu me afagas;
Houve um dia... ainda ontem,
onde as mãos se abriam de esperança
na tentativa de agarrar o mundo,
queria tudo e não chegava, de cada mulher
fazer um ponto de passagem.
Hoje mendigo na miséria
de quem pode e não quer,
quero-te e não me vês.
De cabeçada em cabeçada faço mossas na parede,
engulo sapos que invento lutando contra moinhos de vento.
Morro aos poucos numa luta que carece de sentido;
vivo nas entranhas de um vulcão
onde ninguém mais quer entrar.
Alimento-me no conflito, ódios, paixões que crio, grito,
sadismo de quem sofre e gosta.
Quem irá dar-me um tiro
e selar de sangue o meu trágico destino?
Quem?... vai querer meu beijo?

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