terça-feira, 19 de janeiro de 2010

FEIOS, PORCOS E MAUS


É uma espiral de demência
com laivos de violência explicita,
todo o mal-fazente é eloquente
todo o sermão inconsequente,
onde a lei é subjugada a ferros
perante a indiferença e o regozijo
dos que já não crêem, vegetam.
É bom estar do outro lado, pecar,
rasgar os limites, mentir, roubar,
ser feio, ser porco, ser mau... ser gente.
Olhos descrentes, impacientes, inflamados
comodistas, arrogantes, exasperados, cansados
duma rotina quase sempre amarga.
Ergo as mãos numa prece muda, estéril,
mas após os pontapés qu'a vida já me deu,
oceanos de lágrimas que já verti,
é difícil ser mais eu, continuar
a acreditar em ti. Que se f... a paz!
São parasitas, marginais e anarquistas,
contestatários sociais, oportunistas,
ratos à deriva numa sarjeta sem saída,
cuspindo atrocidades duma incongruência inarrável,
quase boçal, do escroto visceral
duma pseudo-inteligência de bolso.
Pressinto a pressa do fim, na intolerância,
no egoísmo e na hipócrisia
das pessoas simples como eu, na fome dos filhos
na miséria e desespero dos pais,
na impávida impotência dos que mandam e nada fazem;
pressinto o estalar do verniz, a guerra por um triz,
na falência dos mundos que se prometem sem fundos,
no abuso indecente da inocência: Venham a mim!,
as crianças, dêem-me o sangue e o sexo,
os corpos estropiados no horário nobre da tv,
as batalhas rácicas e religiosas, as doenças infecciosas
e o clone desse tal de Adolfo. Dêem-me a guerra!
Desvirtuámos do Paraíso o Jardim, pecámos
conspurcámos de heresia a Tua ilimitada confiança
de cada vez que sentávamos o cu
no trono das nossas reais necessidades,
santos de barro, de almas vendidas
de virtude despidos, de fé descalços.
Dá-me o juízo final! Apaga a luz do dia!
Deixa cair em nós o manto duma noite eterna,
com a ira implacável dum dilúvio insaciável
onde Possas lavar as mãos como Pilatos
nas águas turvas duma justiça cega.


"O Homem moderno é um Homem de mitos. Perdeu Deus, perdeu o ideal de cruzada, perdeu a Pátria, perdeu o próprio Homem."
Ruy Belo

2 comentários:

  1. Não conhecia o blog.

    Achei interessante.

    Um abraço.

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  2. Agradeço a visita e o comentário de alguém que como eu preza tanto o uso da palavra escrita. Aqui, onde resolvi colocar a minha despretensiosa escrita, rascunhos apenas, duma alma que cresceu sequiosa de palavras, como outros de vida vivida espero que se sinta em casa e sempre à vontade para regressar. Um abraço.

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