sábado, 6 de fevereiro de 2010

FALTA

Sinto falta da cor e da imprevisibilidade
do aconchego das palavras e dos gestos,
da suave inquietude que um olhar pode ter.
Sinto falta do calor do toque
e da falta da coragem irreflectida
perdida na esperança ausente
dos dias que não voltam mais.
Sinto falta do que não fiz,
dos beijos e carícias que não dei,
das palavras que pereceram mudas no papel.
Sinto falta dos dias de ontem
planejando amanhãs,
das janelas que havia para abrir
e deixei fechadas
e da vida que correu
e me apanhou parado.
Há quem viva de memórias
Há quem morra de saudades,
como pode ter alguém saudades
duma vida que nem sequer viveu?

4 comentários:

  1. Meu amigo
    Lindo poema...nostalgico mas lindo.

    Há quem viva de memórias
    Há quem morra de saudades,
    como pode ter alguém saudades
    duma vida que nem sequer viveu?

    Adorei

    Beijinhos
    Sonhadora

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  2. Sentir falta de... É isso que nos leva para a frente, para novos caminhos e descobertas.

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  3. Há sempre faltas...
    Adoro os teus poemas,
    repletos de sentimentos...
    ...
    Bjs dos Alpes...

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  4. Penso nisso sempre Miguel:

    "como pode ter alguém saudades
    duma vida que nem sequer viveu?"

    Por este motivo tento fazer tudo o que tenho vontade para ter do que me arrepender, ter do que me lembrar, ter do que sentir falta, e mesmo vivendo dessa forma ainda encontro falhas de vida, de coisas que eu não fiz, concluí que não podemos realizar tudo o que pensamos um dia querer, a vida é tão complexa e distinta, não é como uma argila que podemos moldar e molha-la novamente para reparos...

    Lindos estes versos.

    Beijo

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