sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E PORQUE NÃO ESTÁS

E porque não estás
vou à procura do prazer que não tenho,
de tudo o que não me dás e eu preciso,
dum sentido que me ilumine e oriente,
duma vela acesa na minha longa estrada.
E porque não estás
vou às musas do que escrevo
por caminhos que conheço e sei,
ao mais proibido dos frutos
onde não houvera d'ir e já fui,
efémeros prazeres de adolescente
numa cama fria de solteiro
onde a tua ausência se faz premente.
E porque não estás
traio-te mil vezes em pensamentos impuros,
os olhos febris num constante vai-vem
e na cabeça variações de Sade,
o corpo definhando na saudade
de sentimentos que doem, de cheiros palpáveis,
de palavras frias que me deixam a arder,
dos beijos que não me dás, porque não estás...
porque não queres estar.
E porque não estás
sigo à toa um rumo incerto
sem rota traçada,
invento-te em cada verso,
desenho-te em cada poesia,
de cada palavra faço teu corpo,
em cada letra pedaço de um rosto;
alimento-me de vida fingida
a preto e branco,
da cor do meu desgosto.

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