terça-feira, 12 de janeiro de 2010

COMO UM JARDIM SEM FLORES

Gosto do sorriso que tens no olhar,
dessas perscrutantes pérolas luzidias
cujo brilho ofusca as estrelas, faz o céu corar;
são espelhos d'alma, sinceros
quando riem, quando choram
quando falam sem palavras,
são flores de vida preciosas
p'las quais meus olhos se apaixonaram.
Gosto do nariz de menina travessa,
do rubor das maçãs do rosto
e do queixo atrevido, saliente.
Gosto da expressão contente,
do acobreado dos teus cabelos longos
e das pontas soltas à sorte sobre os ombros
(sorte de quem nelas se perder);
Gosto do teu sorriso puro, aberto
da boca grande, dos dentes brancos
desses lábios que eu queria nos meus.
Gosto da maneira como meneias a cabeça,
da melíflua melodia das tuas palavras,
da sonoridade das gargalhadas, da geometria
das tuas linhas, dos côncavos e dos convexos,
da altura desmedida da tua doçura.
Gosto da vida que à vida te deu
(gosto do teu pai e até da tua mãe),
gosto dos cheiros e das cores da infância
qu'eu julgava já perdidos
nos tempos esquecidos da esperança.
Gosto do meu nome nos teus lábios,
ganha cor, sabe a mel. O céu hoje é mais azul
os sonhos cor-de-rosa, e eu sem ti
sou como um jardim sem flores.

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