domingo, 10 de janeiro de 2010

CAIS DO SODRÉ 3:00 AM


Um estridente grito feminino ecoou repentino
no vácuo da noite densa de escuridão,
depois, o ranger frio do metal
brotando no calor de uma luta dura.
Movido por uma coragem insensata
calcorreei vielas perdidas
nos calcanhares do medo que a noite acende em mim,
fiz da fraqueza do receio bruta força
enchendo de brio um peito aberto
que qualquer bala perdida
não desdenharia fazer sangrar.
Irrompi, cego dum heroísmo bacoco
ao quarto cheio de intensos gritos,
onde numa cama de toscas fibras
dois corpos frementes de vida
matavam desejos de prazer,
indiferentes aos comentários do mundo
à modéstia do lugar, à hora pouco vulgar.
Saí. Quem disse? que o amor tem hora?, tem lugar?...

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