sábado, 16 de janeiro de 2010

AFECTO

Olho, sorrio, faço-te rir,
sinto a esperança confiada
dum partilhar de confidências, dou-te
um livro, um poema, uma alma que se despe
na penumbra de solidões perversas.
É longo o ritual, saudade, absurda a espera
horas que correm, sem delongas
dias, tantos dias de tardes vazias
e noites frias, tão frias.
Mais q'um sentimento indescritível
a urgência dum afecto improvável
a necessidade dum desejo condenável,
dois pássaros d'asas cortadas
sonhos roubados, impedidas de voar.
Murmuram as comadres em surdina
revezam-se os arautos duma anciã moral
castrando os sentidos do que é natural,
crenças e costumes que nos matam
com olhares esconsos e palavras viperínas
um não sei bem o quê, de sorrisos
que nos traem e silêncios comprometidos,
segredos, sonhos imaginados à espera de saciar.

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