domingo, 6 de dezembro de 2009

MORTE DUMA PALAVRA


Chegaste como quem nada quer
e ocupaste este espaço árido
que é o meu coração;
invadiste os meus domínios pouco a pouco
e eu deixei-me possuir por ti como um louco.
Foram palavras hábeis aquelas que me escreveste
doces e delicadas, salpicadas
com um toque qb de ilusão;
foram palavras de angústia
à procura de compreensão,
palavras ardentes que fizeram flamejar
este corpo, no desejo febril de te ver.
Mas todo o fogo acaba em cinzas
e as palavras são agora incongruentes, inconsequentes
breves linhas onde os meus sonhos se estrangulam
nas palavras vãs que me escreves, se consomem
na dor de ver-me de ti apartado,
mesmo dessa amizade que parece diluir-se
numa velocidade atordoante.
Mas é minha culpa ter acreditado
num sentimento que não existia
ter dado ouvidos a quem não fala, o coração,
contos de fadas que se lêem para camuflar a verdade
sob a máscara da ilusão.
Tu em mim só mataste o sentimento,
essa palavra a que chamei um dia amor,
e foi esse o mal. Tantas palavras....
que se disseram e que careciam de sentido,
pois que quando o sentimento é verdadeiro
toda e qualquer palavra se torna obsoleta.

2 comentários:

  1. "Quero saber quem sou,
    tirar esta venda que não me deixa ver nada
    e partir às cegas na descoberta de novos rumos"

    Miguel, essa tua frase deixou-me a pensar...
    tiraste-me as palavras dos dedos

    :-)



    toda a poesia devia ser assim!!
    um forte abraço de estima e consideração!


    heduardo

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  2. "Tiraste-me as palavras dos dedos". Isso sim é poesia. Obrigado pelo comentário e pela visita. A presença e o elogio de quem escreve como o Heduardo é um privilégio para quem aprendeu a juntar algumas letras e esporadicamente dar-lhes vida e alma.

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