quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

JOAQUIM

Como pode acabar assim
pobre, sujo e louco
velho amigo Joaquim,
baba ao canto da boca
olhar vidrado, embevecido
pelas miúdas que passam na rua.
Ah, Joaquim, Joaquim!
É triste ver chegar o fim,
um copo em cada taberna
e um lugar sempre à espera
no banco de um qualquer jardim.
Fala pouco quando sóbrio,
passa a vida a blasfemar,
trabalho, trabalho, trabalho
já não há, ninguém o quer.
Pobre e velho Joaquim,
vive de sonhos, amarga realidade,
cultiva-os, alimenta-os
é rico e ninguém sabe, é alvo de chacota.
Atrai-lhe a juventude que o afronta
as pernas bonitas, os seios quase à mostra,
não molhes as calças, Joaquim!
No tempo dele, coitado do Quim,
um beijo só às escondidas
namorar só se fosse para casar.
Nunca se enforcou, pobre amigo Joaquim,
nascido em tempo errado
vai morrendo pouco a pouco
a procurar os seus sonhos
no interior duma qualquer garrafa,
branco ou tinto... tanto faz!

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